quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Noite Insone

Final de março de 2002, madrugada e uma insônia daquelas que a gente percebe logo a necessidade de fazer alguma coisa; continuar rolando de um lado para outro e não dormir, sair / passear, ler ou escrever.
Ainda um pouco perdido, afinal era uma insônia, fui para a cozinha, fiz um cafezinho, em seguida preparei meu cachimbo e quando percebi, estava com lápis e papel na mão. Lembrei-me de uma agenda diferenciada que havia imaginado há algum tempo, que pudesse presenteá-la a amigos, clientes, pessoas de meu relacionamento. Imaginei uma agenda que tornasse o dia-a-dia do usuário mais alegre, menos tenso e se possível, com um pouco de poesia.
Pensei em algumas pessoas e o que poderia dizer a cada uma delas, numa determinada página, ou determinada semana. Iniciei anotando frases próprias, até perceber que estava misturando com outras do poetinha Vinicius de Moares, de quem fui amigo e empresário.
A partir daí, comecei organizar o que poderia chamar de rescunhho poético-insone, em tópicos e tudo aquilo ganhava forma. Algumas historinhas de minha convivência com o poetinha, fotos de arquivo surgiram na minha frente, enfim; a agenda já era toda dedicada a ele, Vinicius de Moraes! Pensei na alegria das pessoas presenteadas, o quanto isso poderia fazê-las felizes, o livro-agenda começava cumprir sua função, tal qual eu a imaginei.

Uma vez homenageado Vinicius, quantos outros nomes da nossa cultura e arte, poderiam receber semelhante homenagem, um a cada edição, isso me entusismava ainda mais!
Finalmente amanheceu, a sensação foi de ter vivido a melhor das insônias, se é que podemos classificá-las! Depois de uma ducha, fui para o escritório animado em passar a limpo aquilo tudo. Quando terminei a revisão, percebi que não havia criado uma agenda para mim, mas um livro-agenda, que bem merecia estar nas mãos do maior número de pessoas possíveis, tanto que o nome da coleção surgiu em meio a tudo isso: ANOTAÇÕES COM ARTE!

Procurei meu contador e contei-lhe toda a história (ou a insônia), ele perguntou se eu pretendia editá-la em alguma editora, disse-lhe que não, então sugeriu uma alteração no contrato social de minha empresa, de forma que eu pudesse também editar, além de outros segmentos já contemplados. Em seguida procurei a família de Vinicius, com quem mantinha boa relação e o apoio ao projeto foi imediato, cedendo documentos de arquivo, fotos e acesso ao acervo de Vinicius na Fundação Casa Rui Barbosa, no Rio de Janeiro. Lembro de ter encontrado documentos meus em um das pastas pesquisadas e o que mais chamou a atenção, foi um roteiro de viagens e shows que eu enviava a Vinicius. À medida que ia mexendo no baú de seus guardados, minha emoção e entusiasmo com o projeto também tomavam forma.

Agradeço a toda família de Vinicius, especialmente a Luciana que me apoiou em todo o processo desde o início. Foi ela também que me reapresentou sua irmã caçula Maria, que havia conhecido ainda criança e agora aparecia jornalista e assessora de imprensa. Maria também se entusiasmou com o projeto e por isso, tive o privilégio de contar com a filha mais nova de Vinicius, como assessora de imprensa do livro-agenda em homenagem ao seu pai. Meu amigo, Oswaldo Mendes, jornalista, ator e dramaturgo foi o escolhido como meu parceiro para cuidar dos textos e edição.

Uma vez lançada esta primeira edição, 22 de outubro de 2002, recebi grande apoio de toda a imprensa e formadores de opinião, tanto que pretendo reeditá-la, por considerá-la uma edição-piloto.
Entre os meus presenteados estava Chico Buarque de Hollanda, que elogiou a iniciativa e acabou sendo o homenageado nas edições de 2005 e 2006. Assim como a edição em homenagem a Vinicius, a de Chico também recebeu todo o apoio. Lembro com muito carinho de um elogio muito especial, em página inteira da Revista VOGUE por Ignácio de Loyola Brandão “Um trabalho delicado com a vida, as canções e a poesia de Chico Buarque entremeando uma agenda encantada”.

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